A chegada das férias é algo comemorado. Pelo menos em seu início. Por mim, trata-se de um evento comemorado durante toda sua duração e eu o valorizo muito sim senhor. Simplesmente tenho o que fazer mesmo que não viaje pra canto algum, sem responsabilidades e sem outras preocupações. Talvez essas sejam minhas últimas férias incluídas em tal contexto e dimensão de vagabundagem, pois todos precisam criar o tal do juízo um dia. Em estilo de redação “Minhas férias” trago com exclusividade um pequeno relato sobre meus primeiros últimos dias de puro ócio.
Minhas atividades incluem, não necessariamente nessa ordem, dormir pela noite (não, não troco o dia pela noite), ler alguma coisa, escrever o que me der na telha, perturbar meu namorado, perturbar meus pais e amigos e ser perturbada por eles, nada, afazeres domésticos, pesquisas sem fundamento, sonhar com um piano e conversar com meus animais. Mais recentemente, juntaram-se à lista, atividades potencialmente perigosas, como enfiar a mão através de uma janela de vidro, por exemplo. Agora mesmo estou olhado com desdém para o meu novo coleguinha com sangue coagulado na mão. A cena toda foi patética, no mínimo. Com o céu despencando lá fora e a grande porta de vidro aberta, a potencialmente desesperada criança aqui foi vítima do acidente, onde sua mão deslizou para o vidro e o quebrou por conta da força que exercia. Claro, depois de uns quantos gritos de seus acompanhantes, uma mão ensangüentada, um corredor sujo e algumas assepsias, as coisas parecem se ajeitar, apesar de a minha mão esquerda ainda estar parcialmente inválida.
Esquecendo um pouco o acidente e comentando sobre duas coisas que me fazem roer as unhas de ansiedade: meu vício (por certo) infantil de usar fantasias de personagens de animes será alimentado por um bom evento no final de semana e a comemoração do meu aniversário, que será na sexta-feira. Tanto para um, quanto para outro, eu estou bastante ansiosa, por mais que possa não parecer para quem me ver.
A única idade pela qual realmente esperei com alguma esperança foram os dezoito anos. Longe da pobreza de espírito de possuir orgulho e inflar o peito e anunciar “sou uma princesa, fiz quinze anos”, o prazer que se tem em inflar o peito e dizer “porra, sou maior de idade e posso quase tudo!” É indescritível. Talvez aos olhos de alguém mais velho soe como um sonho infantil, que por certo o é, mas nem por isso perde sua cota de importância. Nos dezoito anos há um marco concreto e não-ilusório como o criado para as princesas que acabam de completar seus quinze aninhos. Com dezoito anos eu já respondo legalmente pelos meus atos. Em teoria, eu já posso ingerir bebidas alcoólicas, fumar, ser presa, entrar em motéis, entrar em casas noturnas e bares, alugar e comprar DVDs pornôs, dirigir e outras coisas boas ou más do mundo adulto. Na prática, eu faço questão de explicitar que em muitas dessas situações eu prefiro não me envolver (nem quero). Talvez, mais do que dezoito, eu aguarde apenas os vinte e um, onde estarei do auge da vitalidade e teórica liberdade (como se pode perceber, eu me contento apenas com a teoria). Para completar o marco especial que os meus dezoito anos representam para mim, ganhei minha primeira ‘festa’ surpresa. Não foi exatamente uma festa, mas foi algo muito melhor do que uma, pois quase (porque faltaram algumas poucas) todas as pessoas mais importantes para mim me deram a honra de sua presença quando meu cabelo ainda não passava de uma porrinha amassada e meu único traje se limitava a uma camisola azul com o alfabeto estampado nela. Orgulhosa por ter estragado o plano deles de me acordar – porque note, eu acordo realmente cedo – Desfrutei (em teoria, porque eu fui quem menos comeu. Não tenho fome nenhuma pela manhã) de um desjejum com eles. Já não bastasse a importância do fato e do dia, tive um felizardo amigo que passou no vestibular, para completar a cota. Eu nunca fui de separar meus dias entre o melhor e o pior, mas decerto, não posso negar que esse está entre os melhores.
E que muitos outros venham, ao lado dos meus especiais.
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