segunda-feira, 22 de junho de 2009

Mínima de 25, máxima de 32.

Como todo ser humano normal, eu preciso de alguma irrelevância que me tire do sério. A previsão do tempo é algo pelo qual sempre me interessei, apesar de ser uma coisa completamente randômica e imprecisa. E ela me tira do sério. Sério. No Brasil, acho que as pessoas não valorizam, nem dão atenção à previsão do tempo como, por exemplo, nos Estados Unidos (acreditem, quando vou lá, o único canal de TV que tenho prazer em assistir é o Weather Channel). Eis uma previsão do tempo que faz com que eu discuta com o apresentador cada vez que ele fala alguma merda provável dele: a da Gobo. Já não bastasse ter seus jornais exclusivamente dedicados para madames de classe média alta da região sudeste (mais especificamente São Paulo), ainda me vem com uma previsão do tempo precária. Pelo menos para o local que eu moro. Tenho uma teoria em que eles simplesmente pegam temperaturas aleatórias e atiram ali naquele ponto superior do mapa, conhecido como Amazônia (e, não bastasse a repressão climática vinda de baixo, a daqui nem se fala). Um exemplo é sempre e sempre afirmar que há inverno em locais próximos à linha do equador. Gente, N-Ã-O há. Os únicos aqui que andam com blusa de manga comprida são pessoas muito friorentas, dentro de locais que contenham condicionadores de ar (vulgo ar condicionado). A temperatura (sem contar com a presença de condicionadores de ar) mais baixa que já presenciei aqui foi vinte e um graus, com muita chuva, em uma madrugada. E olhem que eu sou um dos friorentos citados acima. Aí me vem um meteorologista renomado (ou não) e me diz que as temperaturas irão cair, pois estamos em pleno inverno. Estamos envolveria todo o Brasil. Eu sei muito bem que há invernos invejáveis lá pra baixo, mas querer unificar tudo (desde fuso horário, até clima) ou é complô com o governo, ou preguicite aguda de dar mais informações. Um sulista que se atrever a passar três dias por aqui em pleno mês de Julho vai pensar “que merda de inverno é essa?” e quando ouvir a âncora do telejornal local dizer “o verão chegou com tudo” vai pensar que estamos louquinhos. Geralmente, nas áreas próximas ao equador, existem duas épocas do ano (vide, a seguinte frase é um clichê muito ultrapassado): o período em que chove mais e o período em que chove menos. Graças ao aquecimento global, o último se tornou o período em que quase não chove, ou simplesmente o período em que não chove. Sendo o Brasil enorme e repleto das mais diversas disparidades, é ignorância querer dedicar meia hora para um jornal considerado nacional que mais informa sobre a vida no Estado de São Paulo (e, às vezes, no Rio) e três minutos para uma previsão do tempo (nem por isso, que tenha esse tempo, mas que as pessoas dêem um pouco mais de detalhes, considerando que a maioria dos brasileiros se guia pela TV para se manter “informada”).

Tá certo. É besteira discutir por isso, é falta de assunto e do que fazer. Mas por conta desse e de outros pormenores que eu chego a Porto Alegre, São Paulo ou Rio e ouço um animal me perguntar se o Pará fica no Nordeste (claro que ainda não vi nenhum perguntar se o Amazonas fica, porque senão eu já teria me mandado pro Canadá há muitos séculos) – E não pensem que são pessoas de pouca instrução que me perguntam essa abominação não. E é tanta hipocrisia nessa história que, mesmo me ignorando aqui em cima, ouço discursos de donas de casa de classe média alta sobre a defesa da Amazônia em relação aos estrangeiros.

RÁ. Faça-me rir.

Então está explicado porque cada vez que a tia da previsão diz que as máximas de Julho no norte/nordeste serão trinta e dois graus (assim como as máximas de Janeiro, Fevereiro, Março... Já viram que não mudam?) eu lanço um olhar de profundo desprezo para a TV e olho de relance para os quarenta graus do termômetro da geladeira.

E, para terminar, algo que não tem nada a ver com o assunto acima: mais um teste inútil que encontrei para fazer, dessa vez, da minha querida Jane Austen.

I am Elizabeth Bennet!


Take the Quiz here!



(Eu preferia a Fanny Prince, mas tudo bem)

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