Ok, semana passada eu estava no supermercado com minha mãe e ela me pediu para escolher alguns limões para ela. Só que eu escolhendo limão é uma ação com duração semelhante a um caracol em corrida de duzentos metros. E digamos que gastei bons minutos ali, analisando aquelas coisas verde-amareladas irritantes e azedinhas. Enquanto eu me concentrava em minha missão, vários seres passavam por mim, escolhendo seus limões com mais sucesso do que eu, até um cara com seus quarenta ou cinqüenta anos de idade parar ao meu lado e resolver que queria conversar. Eu não prestei muita atenção no que ele falou na verdade, me concentrei mais em pensar porque diabos o cara se mobilizou para puxar conversa comigo como se eu fosse uma amiga íntima dele. Logo eu, que sou um saco para dar confiança às pessoas. Eu sempre fiquei em cima do muro quanto a essa característica típica de algumas pessoas. Por um lado eu acho legal da parte delas puxar conversa quando a coisa está chata – conheci muita gente legal assim. Por outro, eu acho um saco. A pessoa acaba te obrigando a falar com ela, mesmo que você esteja sem o mínimo saco para isso e só a olhe gelidamente, perguntando quem é essa criatura para lhe dirigir a palavra. Pior do que isso é pedreiro. Mais da metade dessas criaturas são baixas e nojentas. Não falo por preconceito, nem por nada assim, mas eu, como mulher, não gostaria de assobios e cantadas vindos do meu próprio namorado, imagina desse tipo de gente que nem conheço. E não me limito apenas aos pedreiros e afins. Concluí o terceiro ano há pouco tempo e lembro muito bem que passei o ensino médio inteiro vendo palhaçada de jovens desocupados de classe média provocando as meninas quando elas resolviam se levantar para ir ao banheiro. É um ato que causa a vontade de gritar “VAI ASSOBIAR PRO CU DA TUA MÃE E ME DEIXA EM PAZ, PORRA”. Parece que quanto mais a sociedade se diz avançar, menos educação as pessoas parecem ter. Não, educação não é o termo apropriado. O termo é respeito. Não se respeita mais mãe, pai, avô, avó, irmão, irmão, namorada, amiga, e uma infinidade de pessoas. O respeito é uma característica essencial, valorizada em um período onde o perfil politicamente correto, mesmo que se tratasse de uma fachada, era o principal. Hoje, parece que a moda é ser politicamente incorreto e algumas pessoas fazem questão de anunciar publicamente que o são. Só que o politicamente incorreto desses seres me remete ao ‘mau’ do playboy: uma mera maneira de chamar a atenção de alguém para a insignificância do ser. E, desde o cara que puxou assunto no supermercado, passando pelo pedreiro galante até o moleque de dezessete anos sem vergonha na cara, quem me garante que as ações dessas pessoas não tiveram essa finalidade? Afinal, o ser humano valoriza e muito ser o centro das atenções.
Longe de mim me excluir desse grupo. Ele engloba todo mundo, por mais que você ache que não. Como dizia Einstein “Tudo é relativo”, inclusive nossa opinião (mas ele se esqueceu de dizer que uma boa convivência precisa de mais do que mera relatividade)
sexta-feira, 19 de junho de 2009
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